Caminhos

Caminhos
Porque não pode haver outra forma senão a de existir tal como somos...

segunda-feira, 22 de maio de 2017




Queridos amigos:

A sessão de lançamento do meu livro de poesia intitulado "Da Timidez dos Homens"decorrerá em Coimbra, no dia 30 de maio, pelas 18 horas, na Casa da Escrita.
Assim, e acordo com o convite em anexo, muito gostaria de contar com a vossa presença.

Sei que a maioria de vós está longe e não vai poder estar presente, alguns encontram-se mesmo do outro lado do Atlântico, mas já é muito gratificante saber-vos aí e ir sempre trocando esta "correspondência" convosco.

Deixo-vos um poema deste meu novo livro:

"era bom que o Amor se vendesse

era bom que o Amor se vendesse
nas farmácias
excipientes e princípios ativos combinados
em cápsulas redondas e brilhantes
cor-de-rosa ou vermelho 
tanto dava
tomava cada um a sua dose necessária
e era o equilíbrio
sem raivas nem rancores
quem morresse por excesso de dosagem
morreria por sua conta e risco
(farmacêutico e médico ilibados)
de febre ou de cansaço
mas não de desamor"


Obrigada por estarem aí


terça-feira, 9 de maio de 2017

A tradição já não é o que era


A vida também tem bons momentos e por muito curtos que sejam temos de os aproveitar.
Este ano as minhas filhas gémeas são caloiras e, como mãe orgulhosa que sou, decidi participar no tradicional Cortejo da Queima das Fitas, após vinte e poucos anos, pretexto que serviu uma vontade há muito adiada.
Os antigos estudantes vão à frente, a abrir o cortejo, com as suas capas e pastas com fitas, gritando de quando em vez o tradicional F-R-A.
Foi um cortejo agradável, visto na perspectiva da linha da frente, com os "velhos doutores" muito animados, a matar saudades dos velhos tempos, tal como eu, e muita música de gaita de foles, bombo, ferrinhos, cavaquinho,  boa conversa e muita cantoria!
Ainda eu não tinha feito meio percurso, já as minhas filhas me ligavam a dizer que continuasse, se me estava a divertir, mas que elas iriam para casa, pois tinham sido regadas com cerveja.
Bem, fiquei inicialmente triste, porque elas eram o motivo da minha decisão em aderir ao desfile após tantos anos, mas passado o desapontamento inicial, senti-me feliz e tenho de lhes dar os parabéns, por só gostarem de tomar banho com água e não gostarem de bebidas alcoólicas.
As reportagens têm dado que falar e, antes do cortejo, resolvi ir espreitar o local de partida dos carros e vi os "banhos de cerveja" de que falam as reportagens e a animação dos muitos que neles participam. Cada um bebe do que gosta e cada um faz aquilo que lhe é permitido. Mas...a nossa liberdade acaba onde começa a liberdade do outro...ou já não será assim? Dificilmente consegui romper por entre a multidão, através do chão encharcado e das latas e garrafas de vidro já vazias.
Deixo um R-F-A "com toda a pujança e toda a cagança do fundo do coração" a todos os resistentes, sobretudo aos que não gostam da mudança da tradição, mas que nem sabem que não gostam e aos sóbrios que ainda se conseguem divertir...




quarta-feira, 3 de maio de 2017



A todos o meu muito obrigado pela visita a este meu espaço.
Uma situação familiar tem-me deixado mais ausente, mas vou regressando devagarinho.
A minha mãe, após a morte do seu companheiro, está a viver comigo. Como se encontra praticamente inválida, com uma doença degenerativa que lhe vai reduzindo a mobilidade, eu tenho andado a viver em 24 horas a vida de duas pessoas, a dela e a minha, com todas as tarefas subjacentes que o processo implica, para além do meu dia de trabalho na escola. Uma verdadeira roda viva, como se costuma dizer.
Mas enfim, hoje dizem-me que é dia especial para celebrar - o dia dos meus anos.
E...
deixamos de querer fazer anos quando começamos a ser nós a preparar a nossa própria festa...
quando temos mais dores a gerir...
quando as responsabilidades que pesam sobre a nossa cabeça são tremendas...
quando sentimos cada vez mais que a vida dói...
quando há saudades, porque na mesa ainda há lugares, mas já não há os que antes se sentavam neles...
quando tanta coisa...

mas...
hoje quero embalar-me
nos braços do tempo
e sonhar...